POESIAS

Sobre a Violência
Bertolt Brecht

A corrente impetuosa é chamada de violenta
Mas o leito do rio que a contem
Ninguém chama de violento.

A tempestade que faz dobrar as bétulas
E tida como violenta
E a tempestade que faz dobrar
Os dorsos dos operários na rua?

 
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Voz da consciência
Gilson Silva

Gritas camarada com a voz do teu povo
Fazes-te ouvir além da muralha do medo,
Fazes-te liberta de verdade ao mundo,
Fazes-te tudo que queres bem cedo
Antes que o silêncio na tua garganta desperte
Neutralizando-te, amordaçando-te sem piedade,
Diante dos que te querem túmulo.
Eu te peço camarada gritas: LIBERDADE!


 

SOU APENAS ÁRVORE

GILSON SILVA

 

Plantaram-me, regaram-me,

Cresci, dei fruto, brisa e sombra.

Vi luas novas, cheias, crescentes e minguantes.

Vi céu azul, cinza também vi.

Vi nuvem em abundância,

Vi aves na elegância com asas soltas,

Vi estrela linda piscando,

Vi até orvalho em gotas

Com as folhas namorando.

 

Tomei gosto pela vida

Raizei-me na terra frígida

Provei dos seus manjas.

Ah tempo bom de canto e lira! 

Com a brisa da manhã

Fiz de pano, me cobri.

Ri com o riso do sol

Ao si pôr no horizonte

Elegante e tão só.

 

Mas ao ver longe o homem

Acalentando moto-serra

Temi sua fúria cega.

Chorar não resolve,

Correr não posso, gritar também.

Sou apenas árvore,

Homem eu não sou, ainda bem!

Elogio do Revolucionário

Bertolt Brecht

Quando aumenta a repressão, muitos desanimam.
Mas a coragem dele aumenta.
Organiza sua luta pelo salário, pelo pão
e pela conquista do poder.
Interroga a propriedade:
De onde vens?
Pergunta a cada idéia:
Serves a quem?
Ali onde todos calam, ele fala
E onde reina a opressão e se acusa o destino,
ele cita os nomes.
À mesa onde ele se senta
se senta a insatisfação.
À comida sabe mal e a sala se torna estreita.
Aonde o vai a revolta
e de onde o expulsam
persiste a agitação.

Louvor ao Estudo

Bertolt Brecht

Estuda o elementar: para aqueles
cuja hora chegou
não é nunca demasiado tarde.
Estuda o abc. Não basta, mas
Estuda. Não te canses.

Começa. Tens de saber tudo.
Estás chamado a ser um dirigente.
Freqüente a escola, desamparado!
Persegue o saber, morto de frio!

Empunha o livro, faminto! É uma arma!
Estás chamado á ser um dirigente.
Não temas perguntar, companheiro!
Não te deixes convencer!
Compreende tudo por ti mesmo.

O que não sabes por ti, não o sabes.
Confere a conta. Tens de pagá-la.
Aponta com teu dedo a cada coisa
e pergunta: "Que é isto? e como é?"
Estás chamado a ser um dirigente.

A FLAUTA-VÉRTEBRA
Vladimir Maiakóvski

 

A todas vocês,
que eu amei e que eu amo,
ícones guardados num coração-caverna,
como quem num banquete ergue a taça e
[ celebra,
repleto de versos levanto meu crânio.
Penso, mais de uma vez:
seria melhor talvez
pôr-me o ponto final de um balaço.
Em todo caso
eu
hoje vou dar meu concerto de adeus.

Memória!

Vladimir Maiakóvski


Convoca aos salões do cérebro
um renque inumerável de amadas.
Verte o riso de pupila em pupila,
veste a noite de núpcias passadas.
De corpo a corpo verta a alegria.
esta noite ficará na História. 
Hoje executarei meus versos.

O coração tem domicílio no peito.
Comigo a anatomia ficou louca.
Sou todo coração.