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A praxe do absurdo

Por: Gilson Silva

 

                  Todos sabem que a cultura pernambucana é forte, muito plural, mas o governo parece não ver essa força toda, importa o samba carioca, não que nós não gostamos do samba carioca, mas o recurso que temos não é essa coisa toda para se dá o luxo de trazer uma campeã pra se apresentar aqui no Recife, dando todo mimo que ela merece, mas seria mais sensato cuidar da nossa cultura, dando espaço e todo glamour que ela merece. A prefeitura mandou parar um maracatu que estava se apresentando próximo ao local da saída da escola de samba carioca, para não atrapalhar nem tirar o barulho da apresentação da Unidos da Tijuca com suas cinco baianas, dez passistas, com uma ala de mestre Vitalino em homenagem ao grande Luiz Gonzaga e uma bateria de umas duas dezenas de integrantes. Silenciaram um maracatu que animava (de graça) o povo nas proximidades da passagem da grande escola de samba carioca. Perguntado a um integrante do maracatu porque eles (intergrantes do maracatu) pararam de tocar? O intergrante disse: a prefeitura mandou a gente parar para não atrapalhar a escola de samba. Eles sempre perseguem a gente, hoje o nosso mestre estava calmo e aceitou sem contestar. Disse um tal brincante do maracatu. O maracatu que estava comemorando também o aniversário da nossa cidade silenciou e não pôde levar cultura pernambucana ao povo, mesmo sem apoio da prefeitura nem do governo estadual, que viraram as costas, literalmente a eles que estavam ali animando a cidade e não puderam continuar brincando na rua que é do povo. As nossas agremiações passam por imensas dificuldades, mas os governantes não tão nem aí, numa festa dessa, com uma imensa infraestrutura, “esquecem” de convidá-las, dando um cachezinho que iria ajudar bastante a elas, mas sobre tudo, seria um palco muito bom para sua divulgação, mas o governo preferiu ajudar o samba campeã carioca, que gastou mais de 10 milhões no carnaval de 2012, boa parte veio da articulação do governo pernambucano, com indicação de empresas a “darem” aquela ajudinha básica. Milhões apareceram de repente, com o empurrãozinho do governo pernambucano. Esse empurrãozinho bem que poderia ser dado as nossas agremiações, que vão às ruas todo ano com roupas recicladas, com pouco brilho, pois brilho é caro, com uma orquestra dividida, com poucos músicos, muitas vezes até sem eles que se esquivam do compromisso, por conta de serem maus pagos e quando pagos bem atrasados, isso já é praxe dos governos que patrocinam os ciclos festivos da nossa terra.